Foto cedida ao grupo Amigos Antigos de Alumínio (Facebook) por membro
Anos 50 - antiga fábrica de cal onde se instalou a CBA - Alumínio SP
Em 1966 - 1968 minha família mudou-se para Alumínio onde se estabeleceu após um tempo ao lado da portaria da CBA -Companhia Brasileira de Alumínio - Grupo Votorantim.
Numa pequena lanchonete servíamos os trabalhadores que afluíam das cidades vizinhas e locais.
Todas as madrugadas podiam contar com os lanches e café quentinho com leite puro da fazenda, pães, bolos e variedades de quitutes e salgados, preparados com carinho por Mamãe.
O pequeno comércio abria 5 hs e havia dias em que fechava após as 2hs da manhã.
O fogareiro crepitava no inverno, ao vento gelado trazendo a fina poeira de sulfa de alumínio, onde todos encontravam delicias para se fortalecerem para o árduo trabalho.
A industria metalúrgica vivia o apogeu de uma era de desenvolvimento e muita oferta de emprego.
Afluíam gente dos quatro cantos da nação, uma mão na frente outra atrás!
Assistíamos a chegada de pobres homens, alguns com a família toda, vários sem documentos e muito menos dinheiro.
A última esperança deles receber *Sim* como empregado da fábrica.
Em seguida, antes mesmo de formularem a papelada, era concedido a eles um vale para em nossa lanchonete se alimentarem.
Ver aqueles rostos pálidos, famintos e desnutridos, com o olhar fito no nada pela longa busca por alento e TRABALHO, mas que agora percebiam ter chegada a Grande oportunidade, pela qual não abririam mão nas décadas seguintes, foi extremamente marcante no mais profundo do entendimento sobre o quão nobre é para o ser Humano ter *ocupação com trabalho e dignidade.
Uma situação que vemos se repetir no Brasil, de maneira assustadora.
Aquela gente VENCEU!
Personagens desta história partiram desta vida, mas não sem deixar forte legado, herdeiros honrados, tendo eles aproveitado aquele trabalho e através dele formado filhos estudados e profissionalmente bem colocados pelo mundo afora.
O Konto e Koyzas deste post no entanto, vem na continuidade daqueles eventos, quando anos mais tarde o garoto Gerson um pouco mais crescido assumia sozinho os horários à noitinha na lanchonete.
Várias boas situações aconteceram e esta diz respeito a um Homem, distinto, sério.
Ele vinha toda noite por volta das 19 hs fazer seu lanche.
Ele residia na Cidade de São Roque - SP, assumia a chefia da Alumina, um depto da fábrica.
Após lanchar, contava as histórias de como iniciou a fábrica.
O relato dele era sobre ter um grupo de homens sob seu comando com os burros que escavavam o morro ( mostrava lá no alto onde teriam efetuado as obras).
Narrava a dureza do trabalho e quanto foi realizado, pondo em funcionamento aquele gigante que se transformara a fábrica.
O pessoal com picareta e instrumentos manuais enchiam os burros para carga em carroças.
Àquela altura, passados talvez mais de 20 anos, já havia disponível caminhões e tratores, efetuando expansão bem ali em frente.
Em meio ao pó e agitação, naquele horário, a calmaria possibilitava ele relatar os feitos de outrora.
Ouvia com muita atenção, sem duvidar, muito embora a realidade já mostrava outra capacidade com brutamontes puxando toneladas de terra prá cima e prá baixo.
Um garoto, naturalmente, achava um tanto estranho, não pela veracidade, mas tão somente por ter a visão limitada ao que agora via como moderno.
4 décadas depois ...
O Facebook se tornou uma ferramenta maravilhosa entre outras tantas que possibilitou ligar o mundo, reunir pessoas e trazer à tona fotos e fatos relevantes como nunca antes fora possível.
Entre as fotos, num grupo que criamos com o propósito de reunir amizades daqueles tempos, a imagem acima veio como que ABRIR O TÚNEL DO TEMPO.
É a reprodução EXATA de todo o relato daquele nobre freguês!
Gerson G. Machado
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